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Ramo de Noiva

Breve História

Quando se fala em noivas, para além do vestido branco e do véu, surge, quase de imediato, a imagem do ramo de noiva (ou bouquet). Mas alguma vez se questionou sobre o porquê de quem fica noiva não prescindir deste elemento florido?

A verdade é que a presença do ramo de noiva no dia do grande “sim” é bastante antiga. É preciso recuarmos mais de 2000 anos, até ao tempo da Roma Antiga, para conseguirmos compreender como surgiu esta tradição.

Ficou curiosa? Acompanhe-nos nesta viagem até ao Passado e surpreenda familiares e amigos com os seus conhecimentos de História.

 

O Filho da Rosa

 
As Origens

 

Todos os bouquets vão dar a Roma!

 

A Roma Antiga, em cerca de doze séculos de história, passou de uma monarquia, para uma república, tornando-se, no final, num dos maiores impérios do mundo.

Esta antiga civilização contribuiu para o desenvolvimento de diferentes áreas, como o Direito, a Política, a Engenharia, a Arquitetura e as Artes. O que talvez não saiba é que, no tempo da Roma Antiga, as noivas romanas já transportavam bouquets no caminho até ao “sim”.

Na altura, estes ramos eram compostos por ervas, especiarias e cereais, libertando, propositadamente, um cheiro bastante intenso, visto que o bouquet tinha como função eliminar os “espíritos do mal”, permitindo ao casal viver “feliz para sempre”. Para além disto, a presença dos cereais, no ramo, era crucial, uma vez que os romanos acreditavam que os cereais simbolizavam a fertilidade.

Outro pormenor interessante é o facto de, muitas vezes, o bouquet não ser transportado nas mãos da noiva, sendo, sim, incorporado no cabelo e no vestido.

 

Beatriz Arte Floral

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Beatriz Arte Floral

 

 

Noiva Sortuda ou Noiva em fuga?

 

Na Idade Média, os ramos de noiva continuavam a conter especiarias e ervas aromáticas, de modo a disfarçarem o odor corporal (os banhos diários não eram uma prática comum). Mas se deixarmos de lado o olfato e nos focarmos no casamento, detetamos que foi nesta altura que surgiu a tradição de lançar o bouquet. Porquê? Porque as noivas eram consideradas sortudas e, por esse motivo, os convidados tentavam ficar com algum pertence da protagonista da festa (como, por exemplo, parte do vestido e, até, cabelo!), para também eles serem bafejados pela sorte. Assim, como forma de escaparem ao “ataque” dos convidados, as noivas atiravam o bouquet, fugindo de seguida.

É caso para dizer que não era nada fácil ser noiva nestes tempos medievais!

 

 

Cristina Macedo

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O tempo em que as flores falavam...

 

Durante a Época Vitoriana, a tradição do ramo de noiva evoluiu. As noivas começaram a escolher, com atenção e cuidado, as plantas e flores que compunham o seu bouquet. Esta escolha era tão minuciosa que surgiu a Floriografia (a linguagem das flores) – uma disciplina que associava certas flores e plantas a um determinado significado. A Floriografia teve tanto sucesso que elementos da Alta Sociedade escreveram inúmeros livros dedicados, exclusivamente, ao estudo e explicação do significado das flores.

Muitos historiadores acreditam que os vitorianos utilizavam as flores da mesma forma que nós, atualmente, usamos os emoji.

 

Getty Images

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O casamento da Rainha Victoria com o Príncipe Albert contribuiu para o sucesso de determinadas flores aparecerem, ou não, no ramo de noiva. No entanto, foi a partir do casamento da sua filha mais velha, chamada, também ela, Victoria, que a utilização da murta se tornou comum.

A murta (um arbusto aromático de folha persistente, com flores completas e fruto em forma de baga azul-escura, que exala um agradável aroma a laranja) é, desde então, utilizada por todas as noivas da realeza inglesa. Até hoje, nenhuma delas prescindiu de acrescentar ao seu bouquet alguns ramos originários da murta plantada pela Rainha Victoria, em 1845 (e Kate Middleton e Meghan Markle não quebraram a tradição!). 

 

Savia Bruta

Savia Bruta

 

 

Curiosidades

 

- Em algumas culturas o ramo de noiva é escolhido pelo noivo que, apenas, o entrega à noiva no dia do casamento.

- No Período Tudor, em Inglaterra, os ramos de noiva eram compostos por tagetes que, posteriormente, eram mergulhadas em água de rosas e comidas, uma vez que eram consideradas afrodisíacas.

- No Médio Oriente, a artemisia (também conhecida como erva-sagrada ou mãe-das-ervas) é incorporada nos bouquets de noiva para assegurar que o casamento supera a amargura e as contrariedades.

- As peónias e as rosas são as flores mais utilizadas pelas noivas japonesas e chinesas. Os ramos contêm sempre grupos de seis ou de nove flores, visto que esses números, na cultura japonesa e chinesa, representam prosperidade e riqueza. O uso de grupos de três flores é evitado ao máximo, uma vez que a palavra “três”, em japonês e chinês, é bastante semelhante à palavra “morte”.

 

Isabel Castro Silva

 



Agora que já conhece um pouco mais sobre as origens e as particularidades do ramo de noiva, certamente olhará com outros olhos para a vasta oferta do mercado florista.

Atualmente, o ramo de noiva serve de complemento ao vestido de noiva, tornando-o ainda mais bonito, mas também pode funcionar como um fio condutor de toda a decoração do casamento.

Combine o seu ramo com a estação do ano em que vai casar e adicione cor a um visual tipicamente pálido e níveo.

Não dispense este acessório florido... Até porque caminhar até ao “sim” de braços a abanar (literalmente) não fica nada bem, não acha?

 

|  Redação: Bárbara Barbosa  |